Manaira Medeiros / Século Diário
Após um mês da proibição das sacolas plásticas nos supermercados do Estado, a mudança ainda não desceu na garganta de muitos consumidores. Há pontos controversos na questão que prega a bandeira do meio ambiente e da sustentabilidade, além de muitos interesses em jogo dos grandes empresários, que passam a aliviar um bocado seus gastos anuais. Não se trata de um embate entre ambientalistas e consumidores, de querer ou não se adaptar a uma nova realidade. O debate é sobre efetividade, transferência de ônus e imposição.
Em primeiro lugar, é bom que fique claro: a proibição não tem base em lei, é um Termo de Compromisso, passível de contestação jurídica. Os supermercados precisam oferecer alternativas gratuitas ao consumidor. Na falta dessas, as sacolinhas, igualmente sem cobrança. É o que reza o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Pois somos nós, sim, os grandes prejudicados, à medida que passamos a ser os responsáveis por custos que deveriam ser dos supermercados, que já lucram o bastante. Por que não obrigar os empresários ao fornecimento das sacolas biodegradáveis ou reutilizáveis? Quem sai ganhando na história?
O problema decorrente do descarte inadequado do plástico é muito mais amplo do que a proibição em curso. O não fornecimento de sacolinhas plásticas mais parece uma solução superficial para preservação ambiental. Isoladamente, é uma gota no oceano, diante do fracasso do poder público em estimular ações como a coleta seletiva – separação, acondicionamento e destinação final do lixo - incentivo à reciclagem, reutilização de lixo orgânico e redução das áreas de aterros sanitários. Também não desperta qualquer consciência na população, até mesmo porque esse é um trabalho que deve ser permanente, não com ações isoladas.
A recente mudança remete ainda a outras questões, que merecem destaque. Sabe-se que a maioria dos consumidores reutilizava as sacolas plásticas como suporte nas lixeiras em cozinhas e banheiros de suas residências. Agora, terão que desembolsar mais dinheiro, para comprar sacos de lixo específicos ou as sacolas biodegradáveis. Ou seja, mais lucro para os supermercados, mais sacolas circulando por ai.
Ao mesmo tempo, as classes menos favorecidas não terão como destinar parte de sua já apertada renda mensal para investir na compra dessas novas sacolas. Sem dúvida, um forte incentivo ao descarte de lixo de maneira irresponsável. Alguém duvida?
Há contestações ainda sobre se, de fato, as sacolas biodegradáveis são menos poluentes do que as sacolinhas comuns. Elas são as verdadeiras vilãs, mas o aumento da utilização de sacos de lixo, não? E o plástico utilizado nos próprios produtos? É exatamente a falta de clareza e de debate e as contradições que impedem que a medida encontre coro.
Para todo efeito, o que está claro é que a proibição virou um ótimo negócio para os supermercados, que passam a terceirizar um custo de quase R$ 500 mil por ano no Espírito Santo, e para o governo federal, que assim tapa o sol com a peneira, em questões muito mais urgentes na área. Os consumidores levam a conta e, para o meio ambiente, os resultados serão insignificantes.
De boas intenções...
Após um mês da proibição das sacolas plásticas nos supermercados do Estado, a mudança ainda não desceu na garganta de muitos consumidores. Há pontos controversos na questão que prega a bandeira do meio ambiente e da sustentabilidade, além de muitos interesses em jogo dos grandes empresários, que passam a aliviar um bocado seus gastos anuais. Não se trata de um embate entre ambientalistas e consumidores, de querer ou não se adaptar a uma nova realidade. O debate é sobre efetividade, transferência de ônus e imposição.
Em primeiro lugar, é bom que fique claro: a proibição não tem base em lei, é um Termo de Compromisso, passível de contestação jurídica. Os supermercados precisam oferecer alternativas gratuitas ao consumidor. Na falta dessas, as sacolinhas, igualmente sem cobrança. É o que reza o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Pois somos nós, sim, os grandes prejudicados, à medida que passamos a ser os responsáveis por custos que deveriam ser dos supermercados, que já lucram o bastante. Por que não obrigar os empresários ao fornecimento das sacolas biodegradáveis ou reutilizáveis? Quem sai ganhando na história?
O problema decorrente do descarte inadequado do plástico é muito mais amplo do que a proibição em curso. O não fornecimento de sacolinhas plásticas mais parece uma solução superficial para preservação ambiental. Isoladamente, é uma gota no oceano, diante do fracasso do poder público em estimular ações como a coleta seletiva – separação, acondicionamento e destinação final do lixo - incentivo à reciclagem, reutilização de lixo orgânico e redução das áreas de aterros sanitários. Também não desperta qualquer consciência na população, até mesmo porque esse é um trabalho que deve ser permanente, não com ações isoladas.
A recente mudança remete ainda a outras questões, que merecem destaque. Sabe-se que a maioria dos consumidores reutilizava as sacolas plásticas como suporte nas lixeiras em cozinhas e banheiros de suas residências. Agora, terão que desembolsar mais dinheiro, para comprar sacos de lixo específicos ou as sacolas biodegradáveis. Ou seja, mais lucro para os supermercados, mais sacolas circulando por ai.
Ao mesmo tempo, as classes menos favorecidas não terão como destinar parte de sua já apertada renda mensal para investir na compra dessas novas sacolas. Sem dúvida, um forte incentivo ao descarte de lixo de maneira irresponsável. Alguém duvida?
Há contestações ainda sobre se, de fato, as sacolas biodegradáveis são menos poluentes do que as sacolinhas comuns. Elas são as verdadeiras vilãs, mas o aumento da utilização de sacos de lixo, não? E o plástico utilizado nos próprios produtos? É exatamente a falta de clareza e de debate e as contradições que impedem que a medida encontre coro.
Para todo efeito, o que está claro é que a proibição virou um ótimo negócio para os supermercados, que passam a terceirizar um custo de quase R$ 500 mil por ano no Espírito Santo, e para o governo federal, que assim tapa o sol com a peneira, em questões muito mais urgentes na área. Os consumidores levam a conta e, para o meio ambiente, os resultados serão insignificantes.
De boas intenções...

0 comentários:
Postar um comentário